Minha mãe teve uma ninhada de oito filhotes: três fêmeas e cinco machos. Quando nos viu todos juntos, o tutor dela ficou assustado. Para ele, éramos amor demais… e também uma grande despesa. Ainda assim, durante dois meses, cuidou de cada um de nós com carinho, atenção e respeito.
Vivíamos felizes ao lado
de nossa mãe, em um belo jardim, onde o sol aquecia nossos corpos pequenos e o
cheiro da terra misturava-se ao leite materno. Ali, tudo parecia eterno.
Mas, em uma manhã de
sábado, tudo mudou.
O tutor chegou com uma
caixa de papelão. Um a um, eu e meus irmãos fomos colocados dentro dela.
Choramos. Eu olhava, assustada, enquanto via nossa mãe ficando cada vez mais
distante. O carro partiu, e com ele ficou para trás tudo o que conhecíamos.
Andamos por um tempo até o carro parar novamente. A caixa foi retirada e levada até um carrinho de supermercado. Ali, fomos colocados, expostos ao olhar de pessoas desconhecidas.
Cada vez que alguém se aproximava, um dos meus irmãos desaparecia. Não havia adeus, nem até logo — apenas o vazio deixado no lugar.
As horas passaram.
Mas, pela primeira vez
desde aquela manhã, não senti medo.







