segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

A CAIXA, O CARRINHO E O ABRAÇO



Minha mãe teve uma ninhada de oito filhotes: três fêmeas e cinco machos. Quando nos viu todos juntos, o tutor dela ficou assustado. Para ele, éramos amor demais… e também uma grande despesa. Ainda assim, durante dois meses, cuidou de cada um de nós com carinho, atenção e respeito.



Vivíamos felizes ao lado de nossa mãe, em um belo jardim, onde o sol aquecia nossos corpos pequenos e o cheiro da terra misturava-se ao leite materno. Ali, tudo parecia eterno.

Mas, em uma manhã de sábado, tudo mudou.



O tutor chegou com uma caixa de papelão. Um a um, eu e meus irmãos fomos colocados dentro dela. Choramos. Eu olhava, assustada, enquanto via nossa mãe ficando cada vez mais distante. O carro partiu, e com ele ficou para trás tudo o que conhecíamos.



Andamos por um tempo até o carro parar novamente. A caixa foi retirada e levada até um carrinho de supermercado. Ali, fomos colocados, expostos ao olhar de pessoas desconhecidas.


Cada vez que alguém se aproximava, um dos meus irmãos desaparecia. Não havia adeus, nem até logo — apenas o vazio deixado no lugar.




As horas passaram.


Até que, de repente, senti mãos me retirarem do carrinho. Fui envolvida em um abraço apertado, quente, diferente de tudo que eu já havia sentido. Enquanto era levada para longe, não sabia para onde ia…

Mas, pela primeira vez desde aquela manhã, não senti medo.














 







 



A CAIXA, O CARRINHO E O ABRAÇO

Minha mãe teve uma ninhada de oito filhotes: três fêmeas e cinco machos. Quando nos viu todos juntos, o tutor dela ficou assustado. Para ele...